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Espiritismo

Deus e Espiritismo

No espiritismo, Deus é a inteligência suprema, a causa primária de todas as coisas. É eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom. 

Características de Deus no espiritismo 

Deus é o princípio e o sustentáculo de tudo
Deus governa através de leis imutáveis
Deus é a causa primária de todas as coisas
Deus é eterno, não teve princípio e nem terá fim
Deus é imutável, é sempre o mesmo hoje como o foi ontem e o será amanhã
Deus é infinitamente misericordioso
Deus é onisciente, onipresente, e em todos os atributos Ele o é infinitamente perfeito

Jesus no espiritismo
No espiritismo, Jesus não é Deus, mas o espírito mais puro enviado por Deus como modelo e guia. 

Deus, em Filosofia, é o ser transcendental absoluto e o princípio originário, organizador e mantenedor de tudo o que existe — isto é, o Universo, que é uma criação divina — inclusive os demais seres da natureza material e espiritual, bem como as leis físicas e morais, sendo ele existente por si só, a causa necessária a finalidade última de tudo. Ele é a base de três grandes religiões: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo; fora do monoteísmo, encontram-se outras concepções acerca da ideia da Divindade, da gênese e do desenvolvimento do Universo, tais como: politeísmo, panteísmo, materialismo e ateísmo. Apoiado na lógica e no testemunho espiritual, o Espiritismo é uma doutrina que se fundamenta na existência e soberania absoluta do Ser Divino, elemento primordial da Trindade Universal — Deus, Espírito e Matéria; segundo a Revelação Espírita, Ele é a inteligência suprema do Universo, a causa primária de todas as coisas; é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom; a sua existência se evidencia pelas suas obras e pela Providência Divina. Deus se revela à humanidade na medida em que esta se qualifica para compreender a natureza divina, que se mostra abundante em sabedoria, bondade, justiça e beleza, tendo os Espíritos superiores como seus mensageiros diretos a interagir com os homens através da mediunidade.

Concepções diversas sobre a divindade
É naturalmente intuitiva a ideia da divindade e, desde os tempos mais primitivos, todos os povos desenvolveram uma crença sobre essa ideia, com variadas interpretações sobre a sua essência. A concepção mais comum é a da existência de um ser divino supremo; porém, especialmente nas tradições orientais, a divindade é vista de forma impessoal e se aproxima do conceito de uma potência natural, que gera e que nutre tudo e todos — espécie de mãe-natureza ou alma universal, espécie variante do pensamento panteísta.

De outra forma, no Período Arcaico, a África e os povos do Mediterrâneo desenvolveram culturas politeístas, na qual a potência divina se compunha de vários seres (deuses, ídolos, orixás etc.). A consagração do monoteísmo (crença de uma única e soberana divindade) se efetivou sistematicamente no povo hebreu a partir da revelação mosaica (Lei de Moisés), dando origem ao Judaísmo, da qual tempos depois surgiram o Cristianismo e o Islã.

Na contramão desse sentimento íntimo, certas correntes teóricas modernas propuseram o ateísmo — a negação da existência de Deus —, geralmente em acordo com a negação de toda a espiritualidade, como na concepção materialista. Atribui-se a essa incredulidade sistemática, causas como:

Incompreensão da origem e da natureza divina: negam Deus por não poderem penetrar nos mistérios superiores;
O problema do mal: por consequência dos ditos males terrenos e do que julgam a imperfeição do mundo, negam a possibilidade de haver um Deus ao mesmo tempo sábio, bom e onipotente (Ver o tópico O problema de Deus);
Rejeição ao dogmatismo: baseando-se nas más interpretações teológicas e na imposição das religiões tradicionais acerca das revelações e dos dogmas religiosos, negam a Deus por extensão à rejeição natural a essas religiões.

A causa primordial do desenvolvimento da incredulidade está, como temos dito muitas vezes, na insuficiência das crenças religiosas em geral para satisfazer a razão, e no seu princípio de imobilidade, que lhes interdita toda concessão sobre os seus dogmas, mesmo diante da evidência. Se, em lugar de ficarem na retaguarda, elas tivessem seguido o movimento progressivo do espírito humano, mantendo-se sempre no nível da ciência, por certo difeririam um pouco do que eram no princípio, como um adulto difere da criança de berço, mas a fé, em vez de se extinguir, teria crescido com a razão, porque é uma necessidade para a humanidade, e elas não teriam aberto a porta à incredulidade que vem sapar o que delas resta; recolhem o que semearam.”
Revista Espírita - out. de 1868: ‘Profissão de fé materialista’


Malgrado essa nossa limitação, a obra kardequiana nos apresenta algumas qualidades necessárias que seguramente podemos atribuí-lo, sem as quais ficaria descaracterizada a Divindade (O Livro dos Espíritos - questão 13):

Deus é a inteligência suprema: o intelecto do homem é limitado, pois não pode fazer e nem compreender tudo o que existe. Por sua vez, a sabedoria de Deus há de ser infinita; se a imaginássemos limitada num ponto qualquer, poderíamos conceber outro ser mais inteligente, capaz de compreender e fazer aquilo que Deus não faria e assim por diante, até ao infinito.

Deus é eterno: se tivesse tido um princípio, ele teria saído do nada ou então teria sido criado por um ser anterior. É assim que passo a passo nos dirigimos ao infinito e à eternidade;
Deus é imutável: se fosse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo não teriam nenhuma estabilidade;
Deus é imaterial: quer dizer que a sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria, do contrário ele não seria imutável, pois estaria sujeito às transformações da matéria;
Deus é único: se houvesse muitos Deuses, não haveria unidade de pensamento nem unidade de poder na ordenação do Universo;
Deus é onipotente: porque é único. Se não tivesse a força soberana, haveria algo mais poderoso ou tão poderoso quanto ele; não teria feito todas as coisas e aquilo que ele não tivesse feito seria a obra de outro Deus;
Deus é soberanamente justo e bom: sabedoria providencial das leis divinas se revela tanto nas coisas mais pequeninas como nas maiores, e essa sabedoria não permite duvidar nem da sua justiça nem da sua bondade;
Deus é infinitamente perfeito: é impossível concebermos Deus sem o infinito das perfeições, sem o que não seria Deus, porque sempre se poderia conceber um ser que possuísse o que lhe faltasse. Para que nenhum ser possa ultrapassá-lo, faz-se preciso que ele seja infinito em tudo. Como os atributos de Deus são infinitos, não são sujeitos nem de aumento, nem de diminuição, visto que do contrário não seriam infinitos e Deus não seria perfeito. Se tirássemos de qualquer dos atributos a mais mínima parcela, já não haveria Deus, pois que poderia existir um ser mais perfeito.
Apresentando essas características, o Espiritismo desmistifica a ideia de Deus feita pelo senso comum, especialmente pelo dogmatismo religioso.

Providência Divina
A ideia espírita não concebe que Deus fique um só instante inativo. A Providência Divina é então o cuidado de Deus para com as suas criaturas — com todos os seres da criação, conforme as indicações superiores:

Deus se ocupa pessoalmente com cada homem? Ele não é grande demais e nós muito pequeninos para que cada indivíduo em particular tenha alguma importância a seus olhos?
Deus se ocupa com todos os seres que ele criou, por mais pequeninos que eles sejam. Nada é tão pouco para a sua bondade.”
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec - questão 963

Veja-se que a indicação é de que Deus se preocupa” com tudo e com todos pessoalmente, quer dizer, ele mesmo, por sua ação direta, e não por um mero controle terceirizado ou automatizado. Daí se conclui que ele sabe tudo sobre cada ser, sobre cada fio de cabelo, cada gota dágua que desce na chuva, cada raio de luz — enfim, absolutamente tudo
A compreensão da providência divina requer então que saibamos de outro atributo natural que damos a Deus: a onipresença, ou ubiquidade, que é a capacidade de estar ao mesmo tempo em todo o lugar, e de forma integral, de modo a poder atuar em tudo e estar presente na atuação de cada ser inteligente e estar perfeitamente ciente, por exemplo, até dos nossos pensamentos e sentimentos mais íntimos. 
Deus, na visão espírita

Na questão 1ª de O Livro dos Espíritos, tratado da filosofia espírita, Allan Kardec perguntou aos Espíritos: Que é Deus?
A pergunta de Kardec, só por si, revela-nos que Deus não é uma pessoa já que não pergunta: Quem é Deus? Revela-nos também que Deus não é um objeto ou uma coisa material, pois na pergunta o que não foi precedido do artigo o. Feita a análise da pergunta, passemos à resposta dada pelos Espíritos: É a inteligência suprema, causa primária de todas as cousas. Isto é, sem Deus nada do que existe existiria.
É a Inteligência Suprema: Não existe nenhuma outra que sequer a iguale.
Os Espíritos, respondendo a Kardec quando desejava saber o que são os Espíritos, disseram: Os seres inteligentes da criação. Criados por Deus à sua imagem e semelhança, isto é, seres inteligentes como Inteligente Ele o é.
O Ser Supremo é rico de atributos ou qualidades que O tornam ímpar no Universo.
Deus é eterno. Existe de toda a eternidade. Não teve princípio e nem terá fim.
É imutável. É sempre o mesmo hoje como o foi ontem e o será amanhã. É por isso que disse a Moisés para que O revelasse ao Faraó: Aquele que é te mandou.
É soberanamente bom e justo.
É infinitamente misericordioso.
É onisciente. É onipresente. É onipotente. E em todos os atributos Ele o é infinitamente perfeito.

Na visão espírita, Deus jamais condenará uma criatura sua ao castigo eterno, pois, ao criar o Espírito, tinha e tem Ele ciência dos erros que essa sua criatura cometeria ao longo de sua vida, logo, cometeria erros imperdoáveis que a levariam ao castigo eterno”? Sendo infinitamente misericordioso, dará sempre ao faltoso – qualquer que seja a falta, porque o Espírito jamais poderá ser infinitamente mau – uma oportunidade a mais para refazer sua vida, corrigindo os erros.
Jesus nos ensinou, a nós, Espíritos imperfeitos, que devemos perdoar setenta vezes sete vezes as ofensas recebidas, logo, Deus, a perfeição absoluta, perdoará sempre as ofensas ou faltas de suas criaturas imperfeitas, porque a sua criatura jamais cometerá o mal infinito. Não se pode, pois, punir com penas infinitas, eternas, as faltas finitas dos homens ou dos Espíritos.

Deus, na visão espírita, é o DEUS PAI que ama incondicional e desmedidamente todas as suas criaturas.
Soberanamente Bom e Justo, distribuirá a Sua Justiça com Misericórdia.

Este é o DEUS dos espíritas.