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Chico Xavier

CHICO XAVIER E OS BENS MATERIAIS

Um grupo de senhoras decidiu presentear Chico Xavier com um maravilhoso tapete. Elas chegaram até o médium cheias de alegria e disseram:
— Trouxemos este tapete que tecemos para você com muito carinho.

Chico, sempre humilde, respondeu com gratidão:
— Minhas irmãs, nem sei como agradecer-lhes tamanha generosidade. É meu mesmo? Posso guardá-lo?

As senhoras confirmaram entusiasmadas e, conhecendo a fama do médium de doar tudo o que ganhava, fizeram uma exigência:
— Claro. E, por favor, não dê para ninguém. É seu...

Sem perder a ternura, Chico encontrou uma saída brilhante para não ficar com o presente sem desobedecer à condição imposta por elas:
— Obrigado, queridas irmãs. Agora eu gostaria que as senhoras fizessem um grande favor, de imenso valor.
— Diga, Chico. Faremos o que desejar — responderam elas, prontas para ajudar.
E Chico concluiu:
— É o seguinte: fiquem com este tapete, guardando-o em sua casa, para mim...

Esse episódio ilustra o proverbial desprendimento material de Chico Xavier, que sempre transferia os presentes que recebia para instituições ou pessoas necessitadas. 

Outro caso ainda mais impressionante envolveu um bem muito mais valioso. Certa vez, Chico ganhou de presente um automóvel novo, zero-quilômetro. Exatamente no momento em que ele recebia o carro, um comerciante chegou ao local. Sem pensar duas vezes, Chico entregou o veículo ao homem e pediu que ele pagasse o valor correspondente inteiramente em macarrão, para que o alimento fosse distribuído aos carentes.

Ao longo de sua vida, Chico Xavier foi considerado, para fins editoriais, o autor de mais de quatrocentos livros psicografados. Se ele cobrasse os direitos autorais dessas obras, que venderam milhões de cópias, ele seria um homem milionário. No entanto, ele nunca reivindicou um único tostão. Ele doava todos os direitos para instituições espíritas e filantrópicas, ressaltando sempre que era apenas um mero intermediário e que os verdadeiros autores eram os espíritos.

Se Chico tivesse guardado apenas os presentes de valor que lhe ofereciam, teria acumulado um patrimônio imenso. Mas ele repassava sistematicamente tudo, até mesmo propriedades, para instituições beneficentes. Ele seguia à risca a recomendação de Jesus: "Dai de graça o que de graça recebestes".

O autor do texto lembra que essa postura segue também a rígida orientação de Allan Kardec em *O Evangelho Segundo o Espiritismo*. Kardec alertava que a primeira condição para um médium atrair a simpatia dos bons espíritos é ter humildade, devotamento e o mais absoluto desinteresse material. Kardec aconselhava que o médium que precisasse de sustento deveria buscar recursos em qualquer outra profissão, usando a mediunidade apenas em seu tempo livre.

Infelizmente, a tentação do dinheiro e dos presentes é grande, principalmente para médiuns de cura que atraem multidões. Muitos acabam arruinando suas faculdades espirituais ao usarem a mediunidade como uma escada para enriquecer na Terra, esquecendo seus compromissos com o Céu. Chico Xavier, vivendo uma existência extremamente simples e sem luxos, permanece como o maior exemplo de abnegação e fidelidade a esse princípio sagrado.