Apesar de ser o maior nome do Espiritismo, Chico Xavier sempre ensinou que todas as religiões são respeitáveis, pois todas representam caminhos válidos que conduzem a Deus e ao aprimoramento da alma. Ele aconselhava seus seguidores a manterem uma atitude de extrema veneração diante de qualquer crença, já que todas são sustentáculos do bem na sociedade.
A diferença, segundo ele, é que a Doutrina Espírita atua como o Consolador prometido por Jesus, unindo a fé à razão para explicar que não há morte, que a justiça divina funciona na consciência de cada um e que sempre colheremos no futuro os resultados de nossos próprios atos.
O que muitos desconhecem é que, até os quinze ou dezesseis anos de idade, Chico era um católico fervoroso. Quando sua mediunidade desabrochou de forma intensa e ele precisou deixar o catolicismo para seguir seu caminho espiritual, ao contrário do que se costuma espalhar, ele não foi excomungado. Na verdade, ao se despedir da igreja, ele foi abençoado por seu conselheiro, o padre Sebastião Scarzelli. O bondoso sacerdote conhecia de perto os conflitos interiores do rapaz e compreendeu sua condição.
Ao longo de sua vida, Chico manteve grandes amizades dentro da Igreja Católica, inclusive com inúmeros sacerdotes que o respeitavam profundamente por sua caridade e seus dons. Os ataques que sofria de alguns membros do clero não eram direcionados à sua pessoa, mas unicamente ao incômodo causado pela sua grandiosa divulgação da Doutrina Espírita.
O autor do livro nota que essa intolerância gera situações de grande incoerência até mesmo dentro do próprio catolicismo. Ao pesquisar a história do Padre Cícero, do Juazeiro, ele constatou com surpresa que a maioria dos livros focados em denegrir o famoso padre nordestino foi escrita por outros sacerdotes. Padre Cícero foi um dos maiores médiuns de efeitos físicos de sua época e, exatamente como Chico Xavier, vivia desprendido de bens materiais e totalmente devotado ao povo sofrido.
A história mostra que homens de extrema caridade e dons mediúnicos evidentes, como o próprio Padre Cícero, o Padre Donizzetti e o Padre Eustáquio, não foram atacados por pessoas de fora, mas acabaram sendo implacavelmente perseguidos e crucificados por seus próprios colegas de sacerdócio.
Texto inspirado em trecho da obra Nosso Amigo Chico Xavier (50 anos de mediunidade), do autor Luciano Napoleão da Costa e Silva pela Nova Mensagem (1977).
